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Riscos que esto nossa volta


Consumo de acar, deficincia de ferro, poluio atmosfrica e rudos: armadilhas relacionadas a inmeras doenas O surgimento de doenas crnicas na meia-idade no uma mazela que se restringe ao Brasil. Estudo britnico que acompanha 17 mil pessoas nascidas na Inglaterra, Esccia e no Pas de Gales divulgou sua ltima atualizao em agosto e os dados foram desanimadores: um em cada trs indivduos perto dos 50 anos era portador de alguma doena crnica e, nesse grupo, 34% tinham duas ou mais enfermidades. Esse um grande desafio para a longevidade: como viver muito com qualidade? Contornar algumas armadilhas que esto nossa volta pode ser um primeiro passo. Reduo no consumo de acar diminuiria a incidncia de doenas cardiovasculares e diabetes Edward Lich para Pixabay Quem acompanha esse blog sabe como abordo insistentemente a importncia do exerccio como ferramenta poderosa para nos manter saudveis, mas hoje no vou tratar disso. Reuni trs pesquisas sobre riscos que nos cercam, para que sirvam de reflexo sobre como nos proteger. A primeira mostra que, somente nos EUA, cortar o equivalente a 20% do acar nos alimentos industrializados e 40% nas bebidas poderia prevenir quase 2.5 milhes de eventos cardiovasculares (o que inclui infartos e derrames); 490 mil mortes por problemas cardiovasculares; e 750 mil casos de diabetes da populao adulta daquele pas ao longo da sua existncia. O acar o aditivo mais bvio a ser reduzido para quantidades razoveis, afirmou Dariush Mozaffarian, coautor do trabalho e reitor da escola de nutrio da Tufts University. E acrescento: se no h uma poltica pblica nesse sentido, faa sua parte e diminua substancialmente o consumo. O segundo estudo, divulgado pela Sociedade Europeia de Cardiologia, apontou que aproximadamente 10% dos novos casos de doena coronariana ocorridos no intervalo de uma dcada, a partir da meia-idade, poderiam ser evitados se fosse corrigida a deficincia de ferro que os pacientes apresentavam. O levantamento contou com mais de 12 mil pessoas, com idade mdia de 59 anos, sendo 55% delas mulheres, e mostra como importante manter uma alimentao saudvel e fazer exames regularmente. Alis, eleja o feijo como um dos grandes aliados da sua dieta! Por fim, mas igualmente relevante: de acordo com a revista cientfica da American Heart Association, a exposio poluio e a rudos faz mal para o corao. O artigo detalha pesquisa que acompanhou, durante 20 anos, cerca de 22 mil enfermeiras dinamarquesas acima dos 44 anos, avaliando o impacto dessas variveis ambientais na sade. Ficamos surpresos como os dois fatores ambientais, a poluio atmosfrica e o barulho das ruas, interagiram. A poluio tem mais peso na incidncia de falncia coronariana, mas as mulheres expostas aos dois fatores foram as que apresentaram maior incidncia do problema, disse Youn-Hee Lim, autor snior do estudo e professor da University of Copenhagen.

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Por que as conversas triviais so to importantes para nossa sade mental


As trocas de palavras com estranhos sobre nada importante em particular, curiosamente, so as que nos ajudam a se sentir conectados com o mundo. Voltar ao local de trabalho tem algumas vantagens. Falar com os colegas sobre coisas sem importncia uma delas. Getty Images/BBC tpico. Existem coisas que ns no valorizamos, a no ser depois que as perdemos. E uma das coisas que ns perdemos, pelo menos temporariamente, durante a pandemia, e muitos de ns comeamos a estranhar, aquilo que em ingls chamado de small talk ou, a conversinha, aquele bate-papo superficial. So essas conversas casuais que mantemos com estranhos ou gente que apenas conhecemos de vista, na fila do nibus, numa loja, no parque passeando com o cachorro ou do lado da impressora do escritrio e que so sobre... nada. Mesmo aqueles que dizem odiar essas interaes banais que no Reino Unido giram principalmente em torno do clima admitiram, durante o confinamento imposto pela covid-19, que lamentavam sua ausncia. E por que essas conversas nos fazem falta? Que papel elas desempenham no nosso bem-estar? Conectados com o mundo Esse tipo de interao costuma nos deixar de bom humor. Isso ocorre, em parte, porque elas nos ajudam a nos sentirmos conectados com outras pessoas, e isso algo realmente importante para os seres humanos, disse BBC Mundo Gillia Sandstrom, professora de psicologia da Universidade de Essex, no Reino Unido. Sandstrom investigou o impacto que as relaes fracas (em oposio aos laos profundos) tm sobre ns. Ns precisamos sentir que somos parte de um grupo e parte de algo maior, ela acrescenta. Falar sobre trivialidades com estranhos nos faz sentir que podemos confiar nas pessoas e que o mundo em geral um lugar seguro, como a nossa comunidade. Mas, alm desses benefcios, diz a especialista, essas conversas rpidas nos ajudam a aprender coisas novas. No espere que algum inicie a conversa, voc pode tomar a iniciativa Getty Images/BBC No aprendemos muito com as pessoas que esto mais perto de ns, porque de algum modo sabemos o que elas sabem. Assim, ironicamente, adquirimos mais informao nova de conhecidos e estranhos do que daqueles que so mais prximos de ns. A ausncia desses encontros durante os confinamentos fez com sentssemos falta dessa sensao de novidade, destaque Sandstrom. Essas conversas trazem algo de novo e imprevisvel nossa vida. Quando conversamos com um estranho no sabemos qual direo que a conversa vai tomar ou de que vamos falar. Isso pode assustar um pouco e uma das razes pelas quais a gente evita falar com estranhos. Mas essa imprevisibilidade tambm um dos grandes prazeres que existem, afirma. Podemos notar tambm que, quando no estamos com um nimo bom, ns no tendemos a mostrar isso durante um desses encontros casuais. Isso ocorre porque ns tratamos de apresentar nosso melhor lado a quem no nos conhece bem, j que queremos que esse intercmbio seja bem-sucedido. Ao agir como se estivssemos de bom humor, isso acaba fazendo com que nos sintamos melhor, explica Sandstrom, que acredita que todos esses efeitos sejam acumulativos. No trabalho Essas conversas superficiais no apenas nos fazem nos sentir mais vontade no mbito pessoal, mas tambm nos permitem crescer e nos sentirmos mais seguros no ambiente profissional. O que seria da vida sem bate-papo no salo? Getty Images/BBC Imaginemos que voc seja minha chefe e me d um trabalho para fazer. Se cada vez que ns interagirmos voc me der tarefas e nem sequer me perguntar como estou, como foi meu fim de semana etc, se no faz nada para iniciar uma conversa casual, eu no terei nenhuma conexo com voc, diz Fine. E isso far com que eventualmente algum procure emprego onde as pessoas se preocupam mais com o funcionrio ou paguem mais, por exemplo. As conversas superficiais geram conexo, e isso faz com que a gente se preocupe com as coisas. Por outro lado, um estudo mencionado por Sandstrom verificou que as pessoas que tem mais laos fracos, ou seja, mais conhecidos no trabalho so consideradas mais criativas por seus superiores. Elas so fundamentais para a colaborao e para gerar confiana, assegura Debra Fine, autora do livro The Fine Art of Small Talk (em portugus, A Delicada Arte da Conversa Trivial). Falar sobre o clima um hbito comum aos britnicos Getty Images/BBC Isso est vinculado ideia de que uma pessoas tem acesso a mais tipo de informao: se ela fala com gente de departamentos diferentes na empresa, ela pode aprender um pouco mais e organiza as coisas de forma diferente que algum que somente fala com as mesmas trs pessoas, argumenta a psicloga da Universidade de Essex. Apesar de isso ser mais comum em algumas culturas que em outras, a grande maioria participa desse tipo de rituais. H cerca de um sculo, o pai da antropologia social, o polons-britnico Bronislaw Malinowski, argumentou que a small talk no era de domnio exclusivo das sociedades ocidentais, e seu objetivo no era comunicar ideias, mas sim cumprir uma funo social: estabelecer vnculos pessoais. Isso mesmo que a temtica assim como as normas sobre o que aceitvel e o que no varie segundo a cultura e a regio do mundo. Dessa forma, enquanto no Reino Unido, como mencionamos antes, uma clssica maneira de ter conversas superficiais falar sobre o tempo, e outros pases comum iniciar um bate-papo em torno de uma reclamao (quanto tempo o nibus demora para chegar, como ruim o servio de um estabelecimento etc). Aprendizado Nem todo mundo se sente como um peixe dentro dgua quando se trata de entrar nesse tipo de dilogo com pessoas que no pertencem a seu crculo mais prximo. Lembro-me de uma amiga que costumava olhar, cuidadosamente, pelo olho mgico e colocar o ouvido na porta de sua casa antes de sair para no cruzar com algum de seus vizinhos. Na maioria das vezes, aqueles que evitam essas conexes fazem isso por falta de interesse em outras pessoas. Para muitos, uma questo de personalidade: ficar cercada de outras pessoas provoca ansiedade porque temem uma reao negativa. Falar sobre o clima um hbito comum aos britnicos Getty Images/BBC Mas muitos tambm evitam essas interaes simplesmente porque no sabem como se comportar. Ao menos que j tenha nascido com esse dom e que isso saia de forma natural, a maioria no faz isso bem, explica Fine. Mesmo assim, trata-se de uma habilidade que se pode adquirir por meio da observao e, sobretudo, da prtica. Conselhos para iniciar uma conversa trivial A primeira coisa que preciso lembrar que o incio de uma conversa depende de voc mesmo. No se pode esperar que algum fale com voc numa festa ou num evento da escola. voc que precisa estar disposto a assumir o risco, diz Fine. Ao menos que voc esteja num evento profissional, no pergunte No que voc trabalha?. melhor perguntar O que voc faz?, e a outra pessoa pode te responder o que ela quiser lhe dizer. O importante mostrar interesse de uma maneira que a outra pessoa lhe d uma resposta verdadeira e que exija dela uma resposta de mais de uma palavra, afirma a especialista na arte da conversao. Por exemplo: em vez de Como foi seu fim de semana?, a que algum pode responder simplesmente com um bem, obrigado, voc pode dizer: Me conta sobre o que de mais interessante voc fez no fim de semana. possvel seguir dicas sobre como iniciar uma conversa aleatria e encerrar o papo sem ser mal educado Getty Images/BBC Outra ferramenta disponvel o que Fine chama de informao gratuita. Se voc est num encontro social, a outra pessoa certamente conhecer o anfitrio, assim como voc, e voc pode perguntar como eles se conheceram, por exemplo. Se voc participa de um evento como voluntrio, voc pode perguntar a um outro voluntrio coo foi que se ele se envolveu nessa organizao. Voc deve evitar todo tipo de pergunta que matam a conversa. Em situaes em que voc no conhece muito bem a outra pessoa, no faa perguntas sobre as quais voc no sabe o tipo de resposta que podem gerar, recomenda Fine. Ou seja, melhor perguntar E a vida? Alguma novidade?, em vez de algo sobre seu marido, que voc viu faz um ano, porque voc no sabe se eles continuam juntos, por exemplo. E o mesmo vale para o trabalho: no parta do pressuposto de que a pessoa continua no mesmo emprego. muito melhor pedir a ela Me fala sobre as novidades do trabalho, j que a outra pessoa lhe contar o que ela quiser contar sobre esse assunto. Outra recomendao que Fine faz que voc no entre em competio enquanto conversa, coisa que muitos de ns fazemos sem que percebamos. Isso significa que, se algum lhe fala sobre como se sentiu mal trabalhando sozinho em casa durante a pandemia, no responda dizendo que para voc foi pior porque, alm disso, tinha seus filhos o tempo todo em casa. muito melhor responder: Parece que foi bem difcil para voc mesmo. J consegue ver uma luz no fim do tnel?. ...e para encerrar o papo sem ser mal-educado Por ltimo, encerrar uma conversa to importante como come-la, sobretudo se no quisermos ficar presos num papo que parece no ter fim. Porm, tambm no querermos ofender ou ferir os sentimentos de nosso interlocutor. Fine recomenda indicar que a conversa est prestes a chega ao final exibindo o que chama de bandeira branca, em referncia que se usa nas corridas automobilsticas para indicar ao condutor que estamos entrando na ltima volta. As conversas triviais so to importantes na vida pessoal quanto no trabalho Getty Images/BBC Ela d exemplos de frases de bandeira branca: Me diga uma coisa, antes de eu sair, ou Eu queria te fazer uma ltima pergunta, ou Eu vou ter que sair, mas me explica uma coisa etc. Outro ponto importante, afirma Fine, que se voc diz que vai sair daquela interao para fazer alguma coisa, que voc realmente faa isso. Se voc acaba de dizer a algum foi timo falar com voc, mas estou desesperada para comprar um caf, e no caminho cafeteria voc encontra outra pessoa, e seu interlocutor v como voc est falando longamente com ela, vai ficar ofendido, e isso pode queimar pontes. A essa nova pessoa, diga simplesmente que voc vai comprar um caf e que ela te acompanhe, ou ento que voc est indo comprar um caf e j volta. So todas regras muito simples, que podemos colocar em prtica para nos conectarmos mais facilmente com as pessoas que nos rodeiam e, com isso, nos sentirmos melhor.

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Pesquisa mostra que cariocas e fluminenses no se preparam para a velhice


Metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admite nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a sade O Rio de Janeiro concentra uma das maiores populaes de idosos do pas e, por isso mesmo, pode funcionar como uma espcie de laboratrio sobre o envelhecimento. No entanto, se dependermos dessa referncia, a situao no boa: de acordo com pesquisa realizada pela consultoria Hype50+ para a operadora Leve Sade, cariocas e fluminenses da Regio Metropolitana no esto se preparando como deveriam para a jornada da longevidade. Envelhecimento: metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admite nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a sade Pasja1000 para Pixabay O objetivo do levantamento foi traar um perfil sobre hbitos e a sade de pessoas com mais de 55 anos, moradoras dos municpios do Rio, de Niteri e Duque de Caxias. A pesquisa qualitativa teve dez grupos on-line, com 42 participantes: homens e mulheres, com e sem convnio mdico, das classes A, B e C. Foi criado ainda um grupo de cuidadores de idosos com mais de 75 anos, tambm com e sem convnio, das classes B e C. Alm disso, o trabalho quantitativo teve 1.005 entrevistas presenciais. Apesar da conscincia sobre a importncia da preveno, h uma grande distncia entre saber e a prtica. Metade dos entrevistados entre 55 e 64 anos admitiu nunca ter se preocupado com uma rotina de cuidados preventivos com a sade. O percentual maior na faixa entre 65 e 74 anos (61%) e acima dos 75 (60%). Interessante que 57% dos que esto entre 65 e 74 anos avaliam sua sade como boa ou tima, mesmo que sejam portadores de doenas crnicas. No grupo dos 55-64 anos, o percentual de 63%. O estudo utilizou os parmetros da faculdade de sade pblica da Universidade Harvard (EUA) sobre cinco hbitos que poderiam prolongar a vida em pelo menos uma dcada: alimentao saudvel, atividade fsica, peso controlado, consumo reduzido de lcool e no fumar. Com base nesses critrios, 52% declararam ter uma dieta equilibrada, 41% realizam atividade fsica, 54% afirmaram controlar o peso e 95% entendem o risco do tabagismo, mas apenas 29% tm conhecimento sobre a necessidade do consumo moderado de lcool. Apesar de no ter sido o principal foco da pesquisa, ficou clara a relevncia da figura dos cuidadores familiares, sendo que a maioria deles (56%) era composta por filhos dos idosos. Entretanto, eles reconhecem no estar preparados para a demanda fsica, emocional e financeira dessa rotina.

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O que o lar, doce lar ideal quando envelhecemos?


Viver em casa ou procurar uma comunidade voltada para o pblico snior so opes bem distintas, ambas com defensores Conforme envelhecemos, muda o conceito do que o lar, doce lar? Podemos pensar do ponto de vista do imvel: para quem teve filhos, a casa vazia parece grande demais, enquanto quem sempre viveu s talvez continue se sentindo confortvel no espao que ocupa. No entanto, se ajustarmos o foco para conexes sociais, ser que aquele ainda um lugar que estimula a socializao, no qual a pessoa se sente parte de uma comunidade, ou no h mais laos, apenas um isolamento progressivo? A longevidade produz diferentes grupos de velhos e cada um tem necessidades especficas, por isso devemos fugir de generalizaes. A maioria prefere a ideia de envelhecer em casa, at um eventual limite imposto por sua capacidade fsica e intelectual. Mas h tambm os defensores de comunidades desenhadas para o pblico snior, que advogam que essa convivncia vai alimentar esprito e intelecto. Quem tem razo? No acredito que exista uma nica resposta para a questo, mas ponho em discusso alguns pontos levantados num debate realizado no dia 30 de setembro pelo laboratrio de inovao da AARP, a associao dos aposentados norte-americanos, que rene quase 40 milhes de afiliados. A maioria das pessoas prefere a ideia de envelhecer em casa, at um eventual limite imposto por sua capacidade fsica e intelectual Gerd Altmann para Pixabay De um lado estava Tach Branch-Dogans, fundadora e CEO da The Network for Later-Life Transitions, empresa especializada em criar um ambiente favorvel para o chamado aging in place, isto , envelhecer em casa. Lar algo que associamos a alegria, bem-estar. onde esto nossos objetos e referncias, e ningum quer se separar do seu passado. Hoje em dia, a tecnologia uma poderosa aliada, atravs de sensores e aplicativos, para garantir a independncia dos idosos e dar segurana a seus filhos, amigos e familiares, que podem checar se est tudo bem, afirmou. Seu trabalho inclui fazer um levantamento da rotina da pessoa e propor adaptaes: muitas vezes, o idoso diminui sua circulao pelo imvel e podemos convenc-lo a reutilizar o espao ocioso de outra forma, at chamando algum para morar com ele, ou a se mudar para um lugar menor, mas que mantenha os laos que mais preza. Os nmeros so expressivos: em 2030, 20% dos norte-americanos tero mais de 65 anos e, desse contingente, 22% o equivalente a 15 milhes no tero cnjuge, filhos ou familiares. Quem sugere uma soluo completamente diversa Nick Smoot, fundador e CEO do Innovation Collective: lar o lugar das rotinas que desenhamos ao longo da nossa histria, do pertencimento, da segurana. Essa uma relao que construmos com pessoas, e no com objetos. A disperso das famlias s tem agravado o problema do isolamento. Quando tentam me convencer de que o idoso pode participar e contribuir com sua comunidade, eu pergunto como isso possvel, se as vizinhanas tambm se isolaram e est cada um no seu casulo?. O modelo de cohousing surgiu na Dinamarca na dcada de 1960: um condomnio cuja disposio das moradias feita para facilitar a proximidade de seus ocupantes, com reas de lazer compartilhadas, mas garantia de privacidade. Voc s socializa quando quiser, mas o tipo de alternativa para quem tem dinheiro no bolso. Por aqui, h um longo caminho pela frente quando se trata de residncias para idosos. So poucas e caras as opes de boas instituies de longa permanncia (ILPI), o nome palatvel para espantar o preconceito que cerca casas de repouso ou asilos. Entretanto, questes como o respeito ao exerccio da sexualidade e orientao sexual tm se mostrado um enorme desafio que o setor no aborda. No dia 1 de outubro, foi lanado um novo site da Frente Nacional de Fortalecimento das ILPIs, cuja proposta oferecer orientao para melhorar o atendimento desses estabelecimentos. possvel consultar a lista de instituies disponveis em cada municpio e haver cursos de capacitao. Foram elaboradas diversas cartilhas: guia de manejo da Covid-19, cuidados fisioteraputicos e orientaes para os profissionais, entre outras. A Frente foi criada em abril de 2020, fruto de um movimento de mais de 1.500 voluntrios de formao profissional variada: de cuidadores a mdicos; de gestores a professores universitrios.

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Por que seu telefone celular no est te deixando menos inteligente


Pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canad, escrevem sobre o impacto dos smartphones nas nossas habilidades cognitivas. Toda tecnologia nova levanta preocupaes sobre como pode afetar negativamente nossa capacidade de pensar, reter e processar informaes Getty Images/BBC A tecnologia digital onipresente. Nos ltimos 20 anos, temos dependido cada vez mais de smartphones, tablets e computadores e essa tendncia tem se acelerado devido pandemia de Covid-19. A sabedoria popular nos diz que a dependncia excessiva da tecnologia pode prejudicar nossa capacidade de lembrar, prestar ateno e exercer autocontrole. De fato, estas so habilidades cognitivas importantes. No entanto, os temores de que a tecnologia suplantaria a cognio podem no ser bem fundamentados. Tecnologia altera a sociedade Scrates, considerado por muitos o pai da filosofia, estava profundamente preocupado com a forma como a tecnologia da escrita afetaria a sociedade. Como a tradio oral de fazer discursos requer um certo grau de memorizao, ele tinha receio de que a escrita eliminasse a necessidade de aprender e memorizar. Esta passagem interessante por duas razes. Primeiramente, mostra que houve uma discusso intergeracional sobre o impacto das novas tecnologias nas habilidades cognitivas das futuras geraes. Esta continua sendo a realidade at hoje: o telefone, o rdio e a televiso foram todos saudados como arautos do fim da cognio. Isso nos leva segunda razo pela qual esta citao interessante. Apesar das preocupaes de Scrates, muitos de ns ainda somos capazes de guardar informaes na memria quando necessrio. A tecnologia simplesmente reduziu a necessidade de certas funes cognitivas, e no nossa capacidade de execut-las. Piora da cognio Alm das alegaes da mdia popular, algumas descobertas cientficas foram interpretadas como sugerindo que a tecnologia digital pode levar a uma perda de memria, ateno ou funes executivas. Aps o escrutnio dessas afirmaes, no entanto, percebemos duas suposies argumentativas importantes. A primeira suposio que o impacto tem um efeito duradouro nas habilidades cognitivas de longo prazo. A segunda suposio que a tecnologia digital tem um impacto direto e no moderado na cognio. Ambas as suposies, no entanto, no so respaldadas diretamente por resultados empricos. Uma anlise crtica das evidncias sugere que os efeitos demonstrados foram temporrios, no de longo prazo. Por exemplo, em um estudo importante que investigou a dependncia das pessoas em formas externas de memria, os participantes eram menos propensos a lembrar partes de informaes quando era dito a eles que essas informaes seriam salvas em um computador e eles teriam acesso a elas. Por outro lado, se lembravam melhor das informaes quando era dito a eles que no seriam salvas. H uma tentao de concluir a partir dessas descobertas que o uso da tecnologia leva a uma memria pior uma concluso que os autores do estudo no tiraram. Quando a tecnologia estava disponvel, as pessoas confiavam nela, mas quando no estava disponvel, elas ainda eram perfeitamente capazes de lembrar. Sendo assim, seria precipitado concluir que a tecnologia prejudica nossa capacidade de memria. Alm disso, o efeito da tecnologia digital na cognio pode ser devido ao quo motivado algum est, em vez de seus processos cognitivos. De fato, os processos cognitivos operam no contexto de objetivos para os quais nossas motivaes podem variar. Especificamente, quanto mais motivadora for uma tarefa, mais engajados e focados vamos estar. Esta perspectiva reformula as evidncias experimentais que mostram que os smartphones prejudicam o desempenho em tarefas de ateno sustentada, memria de trabalho ou inteligncia fluida funcional. Fatores motivacionais tendem a desempenhar um papel nos resultados das pesquisas, levando em conta especialmente que os participantes muitas vezes consideram as tarefas que so solicitados a fazer no estudo como irrelevantes ou enfadonhas. Como h vrias tarefas importantes que realizamos usando a tecnologia digital, como manter contato com entes queridos, responder e-mails e desfrutar de entretenimento, possvel que a tecnologia digital comprometa o valor motivacional de uma tarefa experimental. Vale ressaltar que isso significa que a tecnologia digital no prejudica a cognio; se uma tarefa for importante ou envolvente, os smartphones no vo afetar a capacidade das pessoas de execut-la. Mudana na cognio Ao fazer uso da tecnologia digital, os processos cognitivos internos esto menos focados no armazenamento e computao de informaes. Em vez disso, esses processos convertem informaes em formatos que podem ser descarregados em dispositivos digitais como frases de pesquisa e depois recarregados e interpretados. Este tipo de descarregamento cognitivo acontece quando as pessoas fazem anotaes no papel, em vez de confiar certas informaes memria de longo prazo, ou quando as crianas usam as mos para ajudar a fazer conta. A principal diferena que a tecnologia digital nos ajuda a descarregar conjuntos complexos de informaes com mais eficcia e eficincia do que as ferramentas analgicas, e isso sem sacrificar a preciso. Um benefcio significativo que a capacidade cognitiva interna, que liberada de ter que executar funes especializadas, como lembrar um compromisso da agenda, fica livre para outras tarefas. Isso, por sua vez, significa que podemos realizar mais, cognitivamente falando, do que jamais seramos capazes antes. Desta forma, a tecnologia digital no precisa ser vista como competindo com nosso processo cognitivo interno. Em vez disso, ela complementa a cognio, ampliando nossa capacidade de fazer as coisas. *Lorenzo Cecutti aluno de doutorado em marketing na Universidade de Toronto, no Canad. Spike W. S. Lee professor associado de administrao e psicologia na mesma instituio. Vdeos: Os mais assistidos do g1 nos ltimos 7 dias

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Est difcil adotar um estilo de vida saudvel? Aprenda a lidar com recadas, mas no desista!


A mdica Sley Tanigawa afirma que abrir mo de maus hbitos desafia nossa imunidade mudana Em sua quarta edio, realizada semana passada, o Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida encorpou, tornando-se latino-americano. bom saber que aumenta o nmero de mdicos interessados em ajudar os pacientes a abraar hbitos saudveis, mas um dos maiores desafios justamente garantir que as pessoas deixem para trs maus costumes e consigam mudar. fundamental no partir do pressuposto de que tudo ou nada. No h caminho em linha reta, preciso saber lidar com lapsos e recadas sem abandonar o plano inicial ou achar que ele no eficaz, enfatizou a mdica Sley Tanigawa Guimares, presidente do Colgio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida e coordenadora da ps-graduao nesse campo de estudo no Hospital Albert Einstein. Ela batizou sua palestra de Contornando a imunidade mudana e explicou que as chamadas recomendaes mdicas se constituem no desafio tcnico algo mais racional, baseado nas evidncias cientficas. No entanto, a grande dificuldade est em alcanar o desafio adaptativo, que engloba as transformaes nas nossas estruturas mentais, porque a que mora nossa resistncia! Para a maioria, isso no se d sem algumas idas e vindas, e exige que o profissional de sade seja um aliado, e no um crtico. Alm disso, sempre haver aniversrios, almoos de famlia e happy hours, o mais importante a pessoa no se deixar levar por velhos gatilhos, acrescentou. Alimentao saudvel: hambrguer pode ser um lapso, mas o segredo no abandonar o plano inicial RitaE para Pixabay Realmente, no faltam armadilhas para ameaar os seis pilares da medicina do estilo de vida: nutrio, atividade fsica, sono, manejo do estresse, relacionamentos saudveis e controle de txicos, categoria que inclui cigarro, lcool, drogas ilcitas e mesmo automedicao. Falando em alimentao, nossas opes so determinantes para garantir uma microbiota intestinal saudvel, essa complexa e dinmica associao de trilhes de bactrias, fungos, vrus e archaea (seres unicelulares semelhantes s bactrias). Como todos j deveriam saber, dietas baseadas em alimentos ultraprocessados, gorduras e acares no so o caminho indicado para o equilbrio do organismo. Essa a rea de atuao da nutricionista Ana Carolina Franco de Moraes, com doutorado em nutrio em sade pblica pela USP e ps-doutoranda em epidemiologia pela mesma universidade, palestrante do evento. Entre os 2 e 3 anos, tal ecossistema se estabiliza, o que s mostra a relevncia da qualidade da alimentao desde o incio. O padro alimentar crucial para o estabelecimento das espcies comensais dominantes. Cerca de 57% da variao de microbiota est relacionada dieta. Quando h disbiose, isto , desequilbrio, a diversidade bacteriana fica reduzida, h alterao da composio bacteriana e das barreiras funcionais e cria-se um quadro de inflamao subclnica crnica, aumentando o risco para o desenvolvimento de uma srie de doenas, como obesidade, cncer colorretal e diabetes, afirmou.

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Fiocruz v cenrio otimista, cita preocupao com dados e indica manter medidas para conter transmisso da Covid


Pesquisadores destacam o sucesso da vacinao na preveno de casos graves. No entanto, estudiosos alertam sobre a necessidade de manuteno de medidas de preveno para evitar transmisso da doena. Fiocruz JN A taxa baixa de ocupao de leitos de destinados aos pacientes no Sistema nico de Sade (SUS) uma evidncia do sucesso da vacinao na preveno de casos graves, segundo a ltima edio do Boletim Observatrio Covid-19 da Fiocruz Mas, segundo os pesquisadores, necessrio manter medidas preventivas para bloquear a circulao do vrus. A recomendao de que, enquanto a cobertura vacinal avana, medidas de distanciamento fsico, uso de mscaras e higienizao das mos devem ser mantidas. O boletim tambm pede a manuteno de passaportes vacinais e que a realizao de atividades que representem maior concentrao e aglomerao de pessoas s sejam realizadas com comprovante de imunizao. Circulao de pessoas Os pesquisadores afirmam que os dados do ndice de Permanncia Domiciliar so prximos de zero, mostrando que a circulao de pessoas nas ruas a mesma em comparao ao que era observado antes da pandemia da Covid-19. Segundo os pesquisadores, ainda que muitas pessoas que circulam j tenham sido vacinadas, preciso manter uma rotina de distanciamento fsico, higienizao das mos e uso de mscaras. bitos O nmero de mortes causadas pela Covid segue em torno de 500 bitos por dia. O nmero revela uma queda em relao ao pico da pandemia observado em abril, quando foram notificados mais de trs mil mortes por dia. Por outro lado, os nmeros seguem altos e indicam que h transmisso e incidncia de casos graves que exigem cuidados intensivos. Ocupao de leitos Segundo dados coletados no dia 4 de outubro, a taxa de ocupao de leitos estvel em quase todo o pas. Na maioria dos estados os nveis so menores do que 50%. O Esprito Santo se mantm na zona de alerta intermedirio desde 20 de setembro e a exceo mais preocupante, segundo os pesquisadores, com taxa de ocupao de 75%. Entre as capitais, Braslia, com ocupao de 83%, est na zona de alerta crtico. Na zona de alerta intermedirio esto: Porto Velho (65%); Vitria (73%); Rio de Janeiro (65%); Porto Alegre (63%). As outras 22 capitais esto fora da zona de alerta.

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Pesquisa comprova o impacto da Covid-19 no controle do diabetes


Durante a pandemia, portadores do tipo 2 da doena tiveram dificuldade em administrar o nvel glicmico e manter o peso Com a gradual retomada das consultas, os mdicos j vinham observando o problema em seus consultrios, e agora uma pesquisa internacional confirma a gravidade da situao: o isolamento provocado pela Covid-19 teve um impacto bastante negativo no aumento de peso e controle da glicemia dos portadores de diabetes tipo 2. O interessante que, entre os pacientes com diabetes tipo 1, aconteceu o oposto. Trata-se de uma reviso e meta-anlise (tcnica estatstica para integrar resultados de diferentes levantamentos) de 33 trabalhos que cobrem dez pases e 4.700 pessoas. Foi apresentada no encontro anual da Associao Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD em ingls), no fim de setembro. Isolamento provocado pela Covid-19 teve um impacto bastante negativo no aumento de peso e controle da glicemia dos portadores de diabetes tipo 2 Peter Stanic para Pixabay Com o desenrolar da pandemia, nossas preocupaes foram crescendo medida que aumentava o nmero de consultas remotas e as pessoas experimentavam mudanas em seu dia a dia que geravam ansiedade e estresse. Nossa anlise mostrou que, enquanto os pacientes do tipo 1 administraram bem a situao, os do tipo 2 pagaram um preo alto. importante lembrar que o descontrole glicmico est associado a diversos tipos de cncer, complicaes renais, cegueira, amputaes, infarto e derrame, afirmou Claudia Eberle, da Universidade de Cincias Aplicadas de Fulda, na Alemanha. Em 2019, pelo menos 9% dos adultos entre 20 e 79 anos cerca de 463 milhes no mundo inteiro viviam com diabetes. O tipo 1 a segunda doena crnica mais comum em crianas, respondendo por 85% dos casos abaixo dos 20 anos. Entretanto, o tipo 2 representa entre 90% e 95% de todos os diagnsticos da doena. Para a pesquisadora, o perodo de quarentena pode ter levado pacientes com o tipo 1, a maioria convivendo com a doena desde a infncia, a aprofundar a conscincia sobre sua condio. Em compensao, os do tipo 2, que em grande parte desenvolveram o quadro j adultos, podem ter sido afetados mais fortemente pelo estresse, alimentando-se mal e deixando de lado a atividade fsica. Vale ainda registrar um outro estudo, tambm divulgado no evento, que mostra que mulheres com diabetes no recebem o mesmo cuidado de preveno de doena cardiovascular que os homens. A pesquisa contou com quase 10 mil adultos portadores do tipo 2, com ou sem doena cardiovascular preexistente, e descobriu que, para elas, menor a prescrio de estatinas, aspirina ou medicamentos para a presso arterial. Apesar das evidncias sobre os benefcios de controlar fatores de risco, baixando os nveis de presso e colesterol, uma proporo inaceitvel de mulheres no recebe o tratamento recomendado, e a doena cardiovascular a principal causa de mortes femininas, enfatizou Giulia Ferrannini, mdica do Karolinska Institutet, na Sucia.

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O implante no crebro que promete detectar e curar depresso profunda


Sarah, a primeira paciente a testar dispositivo, diz que sua vida mudou; cientistas afirmaram que mais testes so necessrios. Professora Katherine Scangos verificando dispositivo e progresso de Sarah. MAURICE RAMIREZ-UCSF via BBC Cientistas americanos deram um novo passo rumo deteco e ao tratamento da depresso aguda ao instalar um implante eltrico no crnio de uma paciente e conect-lo ao seu crebro. Sarah, de 36 anos, recebeu o dispositivo h mais de um ano e diz que sua vida mudou. O implante, do tamanho de uma caixa de fsforos, est sempre ligado, mas s emite um impulso eltrico quando percebe que Sarah precisa dele. O estudo experimental foi descrito na revista cientfica Nature Medicine. Veja tambm: Entenda diferenas entre burnout, estresse e depresso Depresso e preguia: como diferenciar? Os pesquisadores, da Universidade da Califrnia, em San Francisco, nos Estados Unidos, ressalvam que muito cedo para dizer se o dispositivo pode ajudar outros pacientes com depresso de difcil tratamento, mas se dizem esperanosos e planejam mais testes. Tinha esgotado todas as opes de tratamento possveis Sarah a primeira pessoa a fazer a terapia experimental. Ela passou por uma srie de tratamentos que fracassaram, incluindo antidepressivos e terapia eletroconvulsiva nos ltimos anos. A cirurgia pode parecer assustadora, mas Sarah disse que a perspectiva de obter qualquer tipo de alvio era melhor do que o que estava experimentando. Tinha esgotado todas as opes de tratamento possveis. Minha vida diria se tornou to restrita. Me sentia torturada todos os dias. Mal me movia ou fazia qualquer coisa. Sarah diz que dispositivo reduziu sua depresso. JOHN LOK-UCSF via BBC A cirurgia envolveu fazer pequenos orifcios em seu crnio para encaixar os fios que monitorariam e estimulariam seu crebro. O implante, contendo a bateria e o gerador de pulso, estava enfiado no osso, sob seu couro cabeludo e cabelo. O procedimento durou um dia inteiro e foi feito sob anestesia geral, o que significa que Sarah ficou inconsciente todo o tempo. Ela conta que quando acordou, se sentiu eufrica. Quando o implante foi colocado pela primeira vez, minha vida deu uma guinada para cima imediatamente. Minha vida voltou a ser agradvel. Dentro de algumas semanas, os pensamentos suicidas desapareceram. Quando estava nas profundezas da depresso, tudo o que via era o lado ruim das coisas. Um ano depois, Sarah continua bem, sem efeitos colaterais. O dispositivo manteve minha depresso sob controle, permitindo que voltasse ao meu melhor estado e reconstrusse uma vida que valesse a pena ser vivida. Sarah diz que no consegue sentir o dispositivo enquanto ele emite impulsos eltricos, mas diz: Provavelmente posso dizer em 15 minutos que ele disparou devido a uma sensao de alerta e energia ou da positividade que sinto. Como funciona A pesquisadora Katherine Scangos, psiquiatra da universidade, disse que a inovao foi possvel localizando os circuitos da depresso no crebro de Sarah. Encontramos um local, que uma rea chamada corpo estriado ventral, no qual a estimulao eliminou de forma consistente seus sentimentos de depresso. E tambm encontramos uma rea de atividade cerebral na amgdala que poderia prever quando seus sintomas eram mais graves. Os cientistas dizem que muito mais pesquisas so necessrias para testar a terapia experimental e determinar se ela pode ajudar mais pessoas com depresso severa e talvez outras condies tambm. Tratamento personalizado Scangos, que inscreveu dois outros pacientes no teste e espera recrutar mais nove, disse: Precisamos observar como esses circuitos variam entre os pacientes e repetir esse trabalho vrias vezes. E precisamos ver se o biomarcador de um indivduo ou o circuito do crebro muda com o tempo, medida que o tratamento continua. No sabamos se conseguiramos tratar a depresso dela, porque era muito grave. Ento, nesse sentido, estamos muito animados com isso. o tipo de estudo muito necessrio no nosso campo agora. Edward Chang, neurocirurgio que instalou o dispositivo, ressalva: Para ser claro, esta no uma demonstrao da eficcia desse tratamento. realmente apenas a primeira demonstrao de que isso funciona em algum e temos muito trabalho pela frente para validar esses resultados. Precisamos saber se realmente algo que ser duradouro. O professor Jonathan Roiser, especialista em neurocincia da Universidade College London, no Reino Unido, disse: Embora este tipo de procedimento cirrgico altamente invasivo s seja usado nos pacientes mais graves com sintomas intratveis, um passo emocionante devido natureza do estmulo. provvel que, se testado em outros pacientes, diferentes locais de gravao e estimulao sejam necessrios, j que o circuito cerebral dos sintomas provavelmente varia entre os indivduos. Como havia apenas uma paciente e nenhuma condio de controle, resta saber se esses resultados promissores se mantm nos ensaios clnicos. VDEOS da srie Depresso - precisamos falar sobre isso

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Livro mostra como a velhice LGBT+ um ato de resistncia


Depoimentos retratam o enfrentamento de um duplo preconceito: contra o envelhecimento e a orientao sexual Na prxima quinta-feira, dia 7, ser lanado O brilho das velhices LGBT+, com depoimentos de lsbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgneros e pansexuais entre 47 e 72 anos. Sobre esse grupo pesam diversas camadas de estigma: alm do etarismo ou idadismo, tambm o preconceito contra sua orientao sexual. Ao todo, foram 55 horas de gravao que resultaram em 20 relatos, colhidos durante seis meses ao longo do ano passado. Denise Taynh quem abre o livro, afirmando: a sociedade me define como uma mulher trans, mas eu me percebo como uma mulher no gentica. Batizada como Luiz Celso, Denise viveu um papel masculino e foi pai sete vezes at os 50 anos. Depois que meu pai faleceu, eu me soltei um pouco, conta. Deu os primeiros passos como crossdresser (usando roupas femininas) e, aos poucos, foi descobrindo que no queria apenas montar um figurino caprichado, e sim ser feminina em tempo integral. Parada LGBT em Nova York: ao envelhecer, esse grupo fica ainda mais vulnervel, tornando-se vtima de negligncia e discriminao LazarCatt Dora, lsbica de 67 anos, tambm se casou e teve uma filha, sem conseguir sentir prazer. S mais tarde passou a viver sua sexualidade plenamente, mas relata duas experincias ruins: a de um relacionamento interesseiro e, outro, abusivo. Jos Carlos, bissexual de 54 anos, incisivo: sou negro, perifrico, filho de pobre, entendeu? Sou um sobrevivente, um vitorioso, s por ser negro e estar vivo nessa idade, passando por tudo que um negro passou. Ary, casado com Lauro e HIV-positivo h 29 anos, resume: hoje eu posso viver!. Luis Baron, vice-presidente da Associao EternamenteSOU, uma das poucas entidades no mundo que presta cuidado psicossocial como atendimento psicolgico e apoio jurdico a idosos LGBT+, escreve no livro: as velhices so tratadas hegemonicamente como heterossexuais, sem lugar para as diversidades que as compem. Ao lado de Carlos Eduardo Henning, doutor em antropologia social e professor da UFG (Universidade Federal de Gois), e Sandra Regina Mota Ortiz, doutora em cincias pela USP (Universidade de So Paulo), um dos coordenadores da obra, que d incio coleo Envelhecimentos Plurais da Editora Hucitec, e a primeira em lngua portuguesa com um conjunto de depoimentos em primeira pessoa. Ao envelhecer, esse grupo fica ainda mais vulnervel, tornando-se vtima de negligncia e discriminao, o que se traduz em barreiras de acesso sade, isolamento e solido. De acordo com dados dos EUA, dos 4 milhes de idosos LGBT+ norte-americanos, 80% so solteiros; 90% no tm filhos; e 75% vivem sozinhos na populao em geral, esses percentuais so muito mais baixos: respectivamente, 40%, 20% e 33%. Por isso to importante que essas vozes sejam ouvidas. Reproduo da capa do livro Divulgao

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